Escrevi
recentemente artigo onde realizo esforços para compreender as causas da pobreza
e, diferentemente do que propalam alguns, ela não é um produto natural do
processo de criação da riqueza. Na maioria dos casos, a pobreza surge e se aprofunda
como resultado das terapias recomendadas por tais profetas como adequadas para
resolvê-la, em outras palavras a pobreza não é um fenômeno natural do
capitalismo, mas sim da ausência do mesmo.
A
economia surge como ciência, exatamente através da curiosidade de um filósofo
moral em investigar as causas da Riqueza das Nações (1776), Adam Smith desejava
entender as razões pelas quais alguns países se tornam ricos enquanto outros
permanecem pobres.
As
conclusões de Smith nos são úteis até os dias atuais e, não é verdade que os
princípios que balizam a criação de riqueza proveniente do processo de troca de
valor, significa omissão ou sucateamento das funções do Estado, no Livro 5, o
autor desdobra um amplo esforço de recomendações quanto aos gastos e as fontes
de financiamento do “soberano”.
A
existência do Estado no pensamento liberal em funções clássicas, popularmente
apelidado de Estado Mínimo, cujo a
execução de tarefas se dá pela construção do orçamento público, deve ser
entendido como mínimo não quanto à suas funções, mas sim quanto a sua
capacidade de tornar as sociedades ricas.
Para
entender os fatores determinantes da riqueza das nações, é preciso recorrer a Jean
B. Say, grande patriarca da ciência econômica em seu Tratado de Economia
Política (1803) nos deixou valiosos ensinamentos, o mais conhecido consagrado
como Lei de Say, afirma que a riqueza se dá através da produção que, ao
contratar fatores (capital e trabalho) cria renda e então, demanda.
A
Lei de Say que prevê a oferta criando contrapartida em demanda impõe uma
relação causal fundamental para as relações econômicas, no sentido que a
produção realizada em um setor, cria renda e gera demanda por produtos
fabricados noutro setor, fenômeno que se dá pela intermediação da moeda,
facilitadora das trocas.
As
relações de troca são as verdadeiras determinantes do progresso material da
civilização, graças à três fundamentos: 1 pessoas (e países) tem necessidades
heterogêneas, 2 pessoas (e países) não produzem tudo aquilo que necessitam e, 3
pessoas (e países) ao canalizarem esforços em produzir aquilo que fazem com
mais competência, o fazem de forma mais eficiente e em maior volume, o que cria
excedente que deve suprir as necessidades de outras pessoas pelo canal das
trocas.
Assim
funciona a alegoria da mão invisível, não é coincidência portanto que o
respeito aos fundamentos micro (individuais) permitiram o avanço das condições
materiais da humanidade pós industrial como jamais observado e, se tal avanço
material se deu de forma desigual na extensão do globo, é preciso refletir se,
as causas onde não se alcançou são culpa do processo de trocas ou da ausência
do mesmo.
Inverter
esta causalidade, crendo que a demanda fomenta a oferta é um erro, útil para identificar
por que algumas nações fracassam, já que consumo não cria valor, ao contrário,
como nos ensina Say em seu livro 3 é um ato de destruição de riqueza. Governos,
embora uma construção necessária para a viabilizar o projeto de sociedade capitalista,
não é determinante de suas condições de prosperidade, já que não cria valor,
mas sim se apropria de valor criado em instância individual.




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