Publicado nos Jornais Diário do Comércio e Gazeta em 02/06/2017
O
IBGE divulgou na última quinta-feira 01/06/17 o resultado das contas nacionais
do 1° trimestre deste ano que trouxeram os seguintes resultados: 1) crescimento
econômico de 1% na comparação com o 4° trimestre de 2016, 2) queda acumulada da
atividade nos últimos 12 meses da ordem de 2,3% e, 3) queda de 0,4% na
comparação com o 1° trimestre de 2016. Este resultado nos induz a avaliação
que, o país ainda está em recessão, embora em menor tamanho em relação ao ano
passado e isto deve ser constatado pela comparação com o mesmo trimestre do ano
anterior, que fornece os seguintes números.
Pelo
lado da demanda, houve queda em praticamente todos os itens, sendo a mais
significativa protagonizada pela formação bruta de capital fixo (FBKF) que
retraiu 3,7%, seguido pela queda no consumo das famílias da ordem de 1,9% e
pelo gasto público com queda de 1,7%, houve alta exclusivamente das exportações
cujo crescimento foi de 1,9%. Já pelo lado da oferta, o crescimento de 15,2% do
setor agrícola e de 9,7% da indústria extrativa, não foram suficientes para
evitar o resultado negativo do PIB, influenciado pela queda no comércio
varejista de 2,5%, pela indústria de transformação caindo 1%, e pela indústria
da construção civil que caiu 6,3%.
Estes
números sugerem algumas reflexões: 1) dado que os resultados do 1° trimestre
não contemplam a deterioração das expectativas em relação a aprovação das
reformas, é bom provável que o resultado dos demais trimestres sejam
contaminados pelo pessimismo natural após a delação dos donos da JBS, 2) Ainda
que não houvesse a referida relação, não é razoável que o crescimento do setor
agrícola se desse na casa dos 15% ao longo de todo o ano. Estes dois fatores
indicam que os resultados dos próximos trimestres devem vir piores. 3) Os impactos
deste resultado sobre o mercado de trabalho serão indesejáveis, isto por que os
setores com desempenho positivo são, em geral, setores intensivos em capital, e
cuja produtividade e avanço tecnológico, dependem de pouca mão de obra.
Enquanto isso, os setores intensivos em trabalho, como construção e comércio,
amargam grandes resultados negativos, o que significa que o desemprego deve
continuar crescendo.
Uma
questão adicional deve ser levada em conta, a queda dos investimentos pautada
principalmente pela retração na compra de bens de capital, ou seja, máquinas e
equipamentos cuja queda foi de 4,9%, necessárias para modernização do parque
produtivo nacional. Isto reflete ainda os problemas de caixa pelos quais passam
as empresas brasileiras, altamente endividadas, mas também a elevada capacidade
ociosa na indústria, na ordem de 36,6% segundo a CNI, além da escassez de
vendas expressas no acúmulo de estoques em níveis acima do planejado. Níveis
elevados de ociosidade, são responsáveis por postergar as decisões de
investimentos, sem as quais não há crescimento do produto e do emprego.
Finalmente,
as decisões de investimento são contaminadas por uma crise política que parece
não ter fim, as incertezas vindas da permanência ou não do presidente Temer, e
se quem suceder tem uma visão correta da agenda que precisa ser tocada adiante,
são fatores que desanimam os investidores, a insegurança jurídica criada pela
tentativa de solapamento das instituições durante os anos do PT, também
contribuem para este cenário. Os próximos meses são cruciais para a economia
brasileira, pois os movimentos feitos neste período, vão apontar se caminhamos
para a modernidade e civilidade, ou se retrocederemos para o populismo
rastaquera que nos deixou mais pobres.





0 comentários:
Postar um comentário