domingo, 5 de dezembro de 2010

Refundação?

Passada as eleições e consagrada na urna a vitória do atual grupo político de situação no país, é natural que o grupo que perdeu a eleição busque culpados, queira reciclar seus quadros dando espaço a novas lideranças para assim ter condições de vencer as próximas eleições e se fixar no poder.
Desta vez não está sendo diferente, muito se especula quanto a fusão dos partidos de oposição em um grande partido o que não creio ser uma solução eficiente para fortalecer a oposição, pois isso pode no futuro agigantar a oposição em um único partido acirrando desta forma as disputas internas que já existem.
Mas é para outra questão trazida a tona pela imprensa, entretanto posta de uma maneira equivocada que gostaria de chamar a atenção, desde que se encerrou o pleito eleitoral se discute a refundação dos partidos de oposição, com excessão do PPS que é um partido mais homogêneo e mais coeso, tanto PSDB como Democratas trazem para o debate o discurso da refundação.
Se entendermos por refundação a participação mais ativa de novos quadros, a maior democratização nas decisões dos partidos e uma mudança de filosofia da oposição no que tange defender o legado dos 8 anos de FHC e no que diz respeito a ir de encontro ao povo para saber o que este deseja, avalio a idéia como louvável.
Entretanto não é isso que percebo quando leio as notícias a respeito nos jornais, a chamada refundação proposta por alguns líderes destes partidos me parecem muito mais mera disputa interna por espaços como no caso do grupo do prefeito Kassab ante o grupo do deputado Rodrigo Maia no caso do Democratas e ao mesmo tempo uma disputa por território entre o PSDB de Minas Gerais e São Paulo, sendo assim, refundação por refundação é preferível não refundar.
Se a oposição continuar nesta disputa bairrista entre tucanos de Minas contra tucanos paulistas e democratas cariocas contra os baianos e os paulistas a oposição está fadada a mesmo com bons quadros para governar o país, ser para sempre oposição e pior, uma oposição cada vez menor contra um conglomerado organizado de vários partidos políticos respaldados por uma enorme burocracia que os dão sustentação eleitoral e que de nenhum jeito estão fazendo bem ao país.
É normal haver disputas internas em um partido como o PSDB que hoje tem os melhores quadros do país, governa os principais estados do pais, possui políticos experientes e gestores eficientes e que naturalmente tem aspirações pessoais, entretanto tais desejos não podem sacrificar o projeto coletivo e nem deixar em segundo plano o interesse do país que precisará mais adiante da capacidade testada e comprovada de um José Serra, de um Aécio Neves ou de um Geraldo Alckmin, sem contar os outros quadros que tem condições para governar o país e fazem oposição ao atual governo.
Se for feita uma refundação de verdade nos partidos de oposição, que perpasse pelo resgate das conquistas do presidente Fernando Henrique Cardoso que foi um grande estadista neste país, pensando a longo prazo, construindo as bases para que o país tenha um crescimento sustentado, além de ser um político com P maiúscula, se a refundação representar uma candidatura de consenso na oposição para disputar com chances de vitória contra os burocratas que aí estão, organizados na forma de partidos políticos, sindicatos, entidades de classe e repartições publicas, então esta refundação terá todo o meu apoio.
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