Passada a votação no senado pela aprovação do salário mínimo e confirmada a derrota da proposta da oposição que seguramente era a que mais interessava ao país, vale a pena destacarmos que muito pouco mudou na postura da oposição desta legislatura em relação à que fez oposição a Lula. Com as exceções de praxe que devem ser levadas em conta, como o senador mineiro Itamar Franco, os tucanos Paulo Bauer e Alvaro Dias, percebemos que fez falta na discussão do mínimo, nomes como os de Tasso Jereissati e Arthur Virgílio, para engrossar o coro contra o rolo compressor que vinha do outro lado, atropelando a oposição, o regimento do senado e até mesmo a própria constituição.
Pode-se dizer que a grande pedra do sapato no império que começou a se instalar no Brasil em 2003 e aí sim podemos falar que nunca antes na história deste país um poder foi tão violentado, desrespeitado e submetido aos interesses de outro como no período Lula e agora como já tivemos o primeiro sinal com Dilma, era o então líder da bancada tucana no senado Arthur Virgílio, acompanhado de outros é bem verdade, mas ele protagonizava as críticas contra o governo e pagou um preço alto por isso, sua própria reeleição.
Com uma legítima e esmagadora vitória em Minas Gerais esperávamos mais da atuação do senador Aécio Neves como líder da oposição, seu brilho está sendo nítidamente ofuscado no Senado pela atuação de outros nomes como Alvaro Dias, Paulo Bauer e Aloysio Nunes. No lugar de Aécio me espelharia no exemplo do candidato derrotado nas eleições passadas que exitou do compromisso de ser oposição e também caiu na desfortuna de pagar um preço alto quando foi disputar com Dilma a presidência da república. E com o ex-governador mineiro a situação ainda é mais confortável para assumir para si a função de líder da oposição, a propósito ele está no ambiente propício para isto, o senado é a casa do debate, ou pelo menos foi, devemos observar melhor de agora para frente, e mesmo em desvantagem numérica a oposição tem o recurso da retórica, dos argumentos, do convencimento da opinião pública sobre o que é certo e errado, duvido muito que o governo mesmo usando de “tropas de choque”, de atropelamento às regras e coisas do tipo, se atreva a desaforar o opinião pública, e se o governo possui maioria folgada no legislativo que o permita fazer o que bem entende, a oposição deve ficar do lado do povo, alertando implacavelmente os desmandos de um governo que não cumpriu com a ética, que não operou bem seus ministérios, que reacendeu no país a chama inflacionária apagada a 16 anos, enfim, bandeira não nos falta para fazer aquilo que a população espera que façamos, oposição. Com mandato ou não todas nossas lideranças desde Fernando Henrique e José Serra que são as mais notáveis, até um mero líder estudantil, ou comunitário, devemos todos ocupar as instâncias do debate para oferecer alternativas viáveis para o nosso Brasil.
A proposta do salário mínimo foi derrotada, não foi nenhuma surpresa haja visto os artifícios persuasivos do governo para com sua base lesgislativa, de brinde ganhamos um mecanismo inconstitucional de reajuste automático do salário que priva o congresso de sua função mais trivial, o debate, com certeza premeditadamente para que os parlamentares não tenham força para mobilizar a opinião pública contra o governo, devemos nos opor a toda tentativa do governo de calar a minoria, vamos gritar!
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
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Vamos gritar!
Economista, empresário e pesquisador com expertise na área de economia brasileira, análise de conjuntura e economia do setor público, política fiscal, tributária e de gasto público.




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