quarta-feira, 2 de março de 2011

Turbulência do novo governo

Adentramos ao terceiro mês de governo da presidente Dilma Rousseff e tudo que podemos perceber é que o Brasil da realidade rouba a cena do país da ficção criado por Lula e os problemas voltama a aparecer. Com toda certeza sobrou na mão de Dilma um imenso abacaxi deixado por Lula a ser descascado como sendo sua “herança bendita”.
A herança de Lula começou a aparecer no país quando na primeira reunião do comitê de política monetária COPOM em janeiro já tivemos uma elevação da Selic de 0,50% de 10,75% para 11,25% ao ano, o primeiro sinal claro de qua a presidente pretendia “arrumar a casa” deixada pelo antigo morador.
Logo depois em fevereiro veio o anúncio da equipe econômica; cortes em todos os ministérios, suspenção de novos concursos públicos inclusive com reflexo a servidores já aprovados, além de excluir outras despesas correntes do governo afim de dar sustança ao superávit primário. Se a proposta de corte for pra valer o governo faz um gol a favor da sustentabilidade do crescimento econômico, se for mero artifício retórico como fora muito utilizado no período Lula mas uma vez o governo e a equipe econômica perde crédito diante do mercado. O fato é que durante os ultimos anos sob o comando do ministro Guido Mântega a fazenda pouco fez para ajudar o Banco Central no controle inflacionário, nem o “dever de casa” que é a manutenção do superávit primário instituído no governo FHC foi levado a sério pelo governo que, que apelava para mágicas contábeis com o caixa das estatais para maquear o verdadeir resultado das contas, o que em parte contribuiu para a lenta queda da taxa Selic durante os ultimos três anos.
Após a alta dos juros e os anúncios de cortes por parte do governo, veio a polêmica do salário mínimo, onde o governo passou por cima da oposição, das centrais sindicais e da opinião pública, fez como quis e aprovou os seus R$545,00 na câmara e no senado, num cenário muito nítido onde o governo promoveu durante mais de dois anos um carnaval de gastos correntes de má qualidade o governo do PT criou a inflação que aí está, agora corta no reajuste do salário mínimo colocando o trabalhador para arcar com o custo desta inflação, e mais agora deve elevar novamente a taxa selic para a casa dos 11,75%, freando ainda mais a atividade econômica neste ano. Enquanto isto, obras mirabolantes como o trem bala, a usina de Belo Monte continuam passeando no orçamento o que acende o alerta amarelo quanto a verdadeira disposição de o governo realizar um corte de gastos no seu orçamento. Segundo a ministra Miriam Belchior os investimentos serão poupados, entretanto eles pouco pesam no montante de gastos públicos, o PAC além de representar um emaranhado de obras sem planejamento e sem cronograma, tem sua execução lenta e irregularidades apontadas pelo TCU o que faz pouco efeito diante da contenão inflacionária.
Hoje o Brasil que aparece nos jornais, nas revistas, na televisão é bem diferente do Brasil desenhado na campanha eleitoral, e se era desenhado significa que pouca relação com a realidade tinha. A somatória de inflação ascendente, descontrole fiscal, elevadíssimos juros com impacto nas contas públicas e o vertiginoso défict externo começam a corroer nosso desempenho que pode já não ser tão bom quanto o esperado, a boa notícia é que o governo aparentemente caiu em si e percebeu a surrealidade da farra passada, o Brasil voltou a habitar a realidade.
←  Anterior Proxima  → Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário