Artigo Publicado no Jornal Correio de Uberlândia em 21/07/2016
É
muito comum no debate político confundir dois fenômenos que embora parecidos a
depender do contexto, são diferentes na essência, me refiro à confusão que
muitos fazem ao assimilar desigualdade à pobreza, atribuindo muitas vezes causalidade
aonde não existe, esta confusão se dá graças a estes dois problemas, serem
fenômenos igualmente vinculados à ótica da renda.
A
experiência mundial entretanto, é generosa em exemplos de países em que
coexistam níveis razoáveis de desigualdade de renda, sem que haja contrapartida
de expansão da pobreza, o inverso também é verdadeiro, localidades onde a
desigualdade é relativamente menor, mas a renda é nivelada por baixo e a
pobreza se faz presente em grande escala. Neste caso, a desigualdade não é um
problema em si, a pobreza sim e precisa ser primeiro entendida para ser
combatida.
O
primeiro ponto a se considerar para entender o surgimento da pobreza são os
fatores demográficos, em linhas gerais, países com grandes contingentes
populacionais e, em idade ativa, sofrem deste problema, em geral por que a
oferta de trabalho cresce a um ritmo maior que a demanda por mão de obra,
gerando altos contingentes de desempregados, o que reduz enormemente os
salários.
Este
é um fenômeno que dificilmente ocorre em países pequenos, onde a oferta de
trabalho é escassa, nestes locais a presença de pobreza se dá devido a outros
fatores que devemos investigar. Fatores demográficos em geral, independem da
ação de políticas de Estado e, sua interferência neste processo, com medidas
paliativas, além de não reduzir a pobreza quase sempre a amplia, criando o
segundo fator gerador de pobreza pelo mundo, a inflação.
A
inflação é a grande inimiga dos pobres, criada em 100% dos casos pela ação
(quase sempre bem intencionada) de governos, por isto é preciso entende-la.
Sendo a pobreza um fenômeno ligado à renda do indivíduo, a inflação prejudica
os pobres já que funciona como um imposto, que reduz a sua renda disponível do
trabalhador.
Um
fato que deve ser considerado é que ela incide de forma heterogênea em
diferentes níveis de renda, em outras palavras, sua incidência é maior em
grupos mais vulneráveis e menor em grupos mais fortalecidos, capazes de
proteger-se na indexação de seus rendimentos, neste caso, a inflação além de um
mecanismo de expansão da pobreza, é também de criação de desigualdade.
O
terceiro fator é microeconômico, reside nas imperfeições no mercado de
trabalho, de bens e financeiro, em grande parte criadas pelo próprio governo,
como no Brasil, onde a monopolização destes mercados foi explícita na última
década, permitindo que uma parte de firmas, bancos e sindicatos fixem seus
preços e salários acima do que seria o equilíbrio de mercado em estrutura
concorrencial, tal comportamento expulsa contingentes inteiros de consumidores
do acesso ao consumo em alguns mercados.
Há
ainda um quarto fator, ligado à determinação da renda futura de gerações
inteiras, trata-se da falta de acesso à uma educação básica adequada, no longo
prazo, isto significa a incapacidade da criança em ingressar em um ensino
superior ou técnico, refletindo sobre a produtividade e, consequentemente sobre
o emprego e o salário futuro ao longo da vida adulta.
Denunciar
a pobreza é fácil, entender as causas e recomendar soluções, nem sempre,
Roberto Campos nos ensina que não se combate à pobreza combatendo o criador da
riqueza.




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