Publicado nos Jornais Gazeta de Uberlândia e Diário do Comércio em 28/04/2017
Ao
se confirmar a tendência de queda da atividade no segundo trimestre deste ano,
o Brasil terá experimentado três anos consecutivos de redução da atividade
econômica, cuja série de resultados negativos teve início no segundo trimestre
de 2014. Um pouco de respeito à teoria macroeconômica internacionalmente
estudada, não faz mal a ninguém. Sendo que, a supracitada queda na atividade
foi patrocinada pela queda aguda e contínua do gasto privado (consumo das
famílias e investimentos das firmas).
A
mencionada queda dos itens de demanda privada no Brasil, foi resultado das
expectativas de alta formadas com relação à taxa futura de juros, reduzindo no
presente a demanda privada, sobretudo os investimentos, sabidamente sensíveis
ao comportamento da referida taxa. Estas expectativas não vem do acaso, e no
bojo da Nova Matriz Heterodoxa experimentada pelos governos populistas, em um
cenário de crescimento contínuo e agudo do gasto público, associado a
desonerações fiscais, para uma dada estrutura rígida do lado da oferta, a única
forma capaz de equilibrar a economia com estabilidade inflacionária, seria
através da queda no gasto privado. Portanto, ao final de 2013 já era possível
compreender que, na ausência de um ajuste fiscal sólido, ou o país iria
experimentar o crescimento da taxa de juros, ou o crescimento da inflação, ou
ambos.
Os
agentes econômicos adentraram 2014 com esta compreensão, e a postergação do
referido ajuste fiscal para o término da eleição, somado ao seu resultado que
reconduziu Dilma Rousseff ao cargo, produziu desconfiança nos agentes que passaram
a enxergar a responsabilidade fiscal como algo inexequível. Deu-se início a um
intenso processo especulativo na economia somado a uma sequência de más notícias
que teve início com o resultado primário deficitário de 2014, passando pela
perca do investiment grade e
culminando com a demissão do ministro Levy em 2015.
Neste
ambiente de falta absoluta de comando na economia brasileira, a taxa de juros
realmente disparou, a SELIC chegando em 2015 a 14,25 p.p. ao ano, já a taxa
implícita de juros (aquela paga pelo tesouro na remuneração das suas operações
compromissadas), atingiu 25,30% ao ano. Neste ambiente recessivo, a enorme
desconfiança que o governo estaria entrando em uma situação ponzi (de
insolvência da sua dívida que cresceu de 52 para 72% do PIB entre 2014 e 2017).
Neste ambiente de incerteza o câmbio atingiu sua máxima histórica, chegando a
R$4,24 e o Bovespa retraiu de 61 mil pontos em agosto de 2014 para 40.5 mil
pontos em janeiro de 2016, uma aguda destruição de valor em curto espaço de
tempo protagonizada pela agonia das empresas, principalmente as públicas.
Neste
ambiente se consolidou o impeachment, e deu-se início ao novo governo. Um ano ano
se passou e, por mais que tenhamos críticas, restritas ao horizonte da política
e da ética, mas o fato é que em matéria de economia o país vem melhorando,
ainda que seja apenas uma meia melhora. A inflação convergiu rapidamente para o
teto da meta, e com ela a taxa SELIC reduziu para os atuais 11,25%, o câmbio
voltou para a casa dos R$3,10 e o Bovespa operava em ferreiro deste ano com 66
mil pontos.
Mas
por que este novo otimismo, sem que se tenha resolvido o problema das contas
públicas (expresso na expectativa de déficits primários até 2019)? Exatamente
pelo fato de os agentes formam expectativas racionais, são capazes de olhar
para o longo prazo e enxergar o compromisso do governo em alinhar suas contas
no horizonte de 20 anos, graças a aprovação da PEC do teto.
No
entanto, a PEC sozinha impõe um limite mas não resolve o problema fiscal. O
sucesso deste ajuste gradual nas contas públicas, requer um ataque contínuo às
origens do crescimento dos gastos públicos, sobretudo no seu maior item de
despesa, a previdência, que teve sua despesa aumentada em termos reais a uma
média de 5,6% ano. O mercado está atento, o Dólar opera em viés de alta e a
Bovespa em viés de baixa, a não aprovação desta reforma pode criar um novo
ambiente de pânico na economia brasileira, e aquilo que se ensaiava uma
recuperação, se tornará uma reedição de 2016.





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